Podcast um método de estudo que faz sucesso

Um projeto destinado apenas a ajudar os jovens tornou-se num dos conteúdos de podcast mais procurados em plataformas como o Spotify. Juan Pleguezuelos levou as aulas para o telemóvel dos alunos e tranformou plataformas como o YouTube, Spotify e Instagram em ferramentas educativas potentes.

“Em 1474, Henrique IV bateu as botas e instalou-se o caos em Espanha”, assegura Juan Jesús Pleguezuelos. E tem razão, porque mal o rei foi desta para melhor, os defensores de Joana (sua filha) e de Isabel (sua irmã) começaram a lutar entre si para ver quem ficava com a coroa. Os textos da época contaram a história de outra forma. De facto, na Crónica dos Reis Católicos Fernando e Isabel de Castela e Aragão, Fernando del Pulgar escreveu: “O rei veio para a vila de Madrid e, em quinze dias, a sua doença agravou-se e acabou por morrer no palácio aos onze dias do mês de dezembro do ano de mil quatrocentos e setenta e quatro, às onze horas da noite. Morreu aos cinquenta anos de idade, era um homem bem constituído e não bebia vinho. Porém sofria de cólicas renais e de pedra, e esta doença incomodava-o com muita frequência”. Narrada desta forma, a história seduz menos e, acima de tudo, percebe-se pior. Foi disto que se apercebeu Pleguezuelos, um professor do liceu Virgen de las Nieves de Granada e, por isso, decidiu produzir uma série de vídeos e podcasts para ajudar os seus alunos.

Contudo, o que começou por ser um pequeno projeto destinado apenas a ajudar os jovens tornou-se num dos conteúdos de podcast mais procurados em plataformas como o Spotify. “Levar as aulas para o telemóvel do aluno pode ser uma ferramenta educativa potentíssima”, garante Pleguezuelos que, para além dos podcasts e do canal no YouTube, também se liga ao Instagram para resolver em direto as dúvidas relacionadas com as provas de acesso à universidade. Toda a ajuda é pouca, uma vez que Espanha, com 17,9%, continua a ser o país com a mais elevada percentagem de abandono escolar precoce da União Europeia, segundo dados de 2018 do Eurostat (Portugal apresentava uma taxa de 11,8% no mesmo ano, sendo a média da UE 10,6%). Uma percentagem que, além disso, se complementa com professores muitas vezes desmotivados por um trabalho pouco reconhecido (um estudo da Universidade de Múrcia assegurava há uns anos que 65% dos docentes apresentavam síndrome de burnout, ou esgotamento) e que sofreu um duro golpe com a crise.

Mas longe de se render perante a escassez de recursos, os cortes nos orçamentos para a educação ou a desmotivação dos adolescentes, Pleguezuelos (que se autointitula “o professor inquieto” no seu website) recorreu à imaginação, ao entusiasmo e à generosidade de quem decide partilhar os seus conhecimentos de forma desinteressada. Os seus alunos, como não podia deixar de ser, agradecem, ouvem os conteúdos em casa, no autocarro ou enquanto caminham na rua. Todos reconhecem o esforço deste professor apaixonado pela palavra, que se tornou numa celebridade entre estudantes espalhados pelo país: “Cria-se um grande impacto a nível pessoal. Receber diariamente comentários de alunos de toda a Espanha que me agradecem pelo que estou a fazer foi muito enriquecedor. Já me fez levantar e deitar com um sorriso de orelha a orelha por ler as coisas que me escreviam.”

Entrevista e edição: Noelia Núñez | David Giraldo

Texto: José L. Álvarez Cedena

Fonte: Expresso. PT

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